Na cruzada internacional contra o aquecimento global e seus grandes vilões (dizem alguns, outros não...), os combustíveis fósseis emissores de CO2, parece que encontraram uma solução miraculosa: a energia limpa.
Ufa! Podemos continuar dirigindo nossos carros, utilizando microondas, geladeira, ar condicionado, microcomputadores... Enfim, a civilização está salva!
Já podemos recostar tranquilamente nossas cabeças em macios travesseiros (feitos de espuma elaborada a partir do petróleo, é claro...) e dormir o sono dos justos.
Nossos heróis e líderes norte-americanos e europeus descobriram a salvação para o planeta (quanta humildade...) e para nosso modo de vida capitalista: basta usar energia limpa! E mais: os pobres países em desenvolvimento podem copiar a solução! Não é incrível?
Energia solar, eólica, nuclear, "biocombustíveis"... Simples assim!
Aqueles que ponderam sobre os impactos socioambientais da produção de energia vinda destas fontes são conservadores, ignorantes, irresponsáveis, ou, no mínimo, pessimistas... (falemos bem baixinho: não contemos a ninguém que a mudança nas matrizes energéticas em nível global darão lucros inimagináveis àqueles que dominarem os novos "mercados energéticos").
Perda da biodiversidade, poluição sonora e visual, destruição dos lugares que são parte da identidade das pessoas, lixo nuclear e riscos de acidentes, emissão de aldeídos para a atmosfera, erosão do solo, desflorestamento, exploração de trabalhadores, insegurança alimentar, comprometimento de recursos hídricos... Ora, são efeitos tão sutis que nem se pode chamar de impactos socioambientais!
Que bom: mudar radicalmente nossa relação com a natureza não será necessário. O dragão capitalista que cuspia fogo de petróleo foi parar na UTI, mas respira com a ajuda de placas fotovoltaicas e pás movidas a vento, está levemente sedado com reatores nucleares e se alimenta de biomassa.
Ufa! Estamos salvos...
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